SOLSTÍCIO DE VERÃO - PARQUE FLORESTAL DE MONSANTO

Passeio Nocturno seguido de Tertúlia ao Luar

Organização: C. M. de Lisboa
Apoio: Ordem dos Bardos, Ovates e Druidas - OBOD

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A Divisão de Gestão e Manutenção do Parque Florestal de Monsanto, da Câmara Municipal de Lisboa, e a Ordem dos Bardos, Ovates e Druidas - OBOD, convidam-no a participar na celebração do Solstício de Verão, no dia 21 de Junho, com a realização de um passeio nocturno seguido de uma tertúlia ao luar. Será um prazer contar com a sua presença!

 

PROGRAMA
21 de Junho, Quinta-feira (actividade gratuita com inscrições limitadas)
Horário: 20h30 – 23h00
Ponto de Encontro: Jardim dos Montes Claros (para mais detalhes ver mapa abaixo)

Passeio nocturno com início ao pôr-do-sol em celebração do dia mais longo do ano, seguindo-se uma caminhada pelo interior do Parque Florestal de Monsanto numa descoberta de sensações que a natureza oferece em período nocturno. Haverá pausas para sentir, respirar e absorver a mística que envolve a natureza e poderá ainda assistir a uma pequena tertúlia ao luar, uma conversa informal, sob o tema do solstício, da natureza como elemento sagrado e das sensações que a natureza desperta. Esta conversa será acompanhada ao sabor de um chá. O percurso terminará no ponto de encontro por volta das 23h00. Traga roupa e calçado confortável!

[ ampliar mapa do percurso (PDF 2,60 Mb) ]

 

INSCRIÇÕES
Email: dmau.daep.dgmpfm@cm-lisboa.pt
Telefone: 218 170 200 | 218 170 208
Transportes Públicos: 723 e 729

 

A IMPORTÂNCIA DO SOL PARA OS NOSSOS ANTEPASSADOS

O Sol iluminou, desde a noite dos tempos, a consciência do ser humano, despertando a sua curiosidade e uma capacidade de emaravilhamento pelas inúmeras manifestações do Mundo Natural, no qual Homem e Natureza eram um só.

Com a passagem dos milénios o conhecimento sobre o Astro-Rei foi também aumentando, nomeadamente no que diz respeito aos cálculos astronómicos. É hoje sabido que os nossos Antepassados remotos, há mais de 7.000 anos, em pleno período megalítico, já conheciam o ponto exacto do nascer e pôr-do-Sol no horizonte nos Equinócios e Solstícios, entre tantos outros elementos astronómicos patentes no seu campo sapiencial, como são disso testemunho os templos de Stonehenge (Inglaterra), Newgrange (Irlanda), mas também nos menos conhecidos (apesar de mais antigos) cromeleques e antas do nosso país, do qual se destaca o grandioso Cromeleque dos Almendres, perto de Évora.

O DRUIDISMO E O SOLSTÍCIO DE VERÃO

Durante o primeiro milénio AEC (Antes da Era Comum) e nos primeiros séculos da EC, o Druidismo floresceu no seio da sociedade Celta, tendo sido herdeiro de tradições ainda mais antigas. Em Portugal, apesar de não existirem vestígios que comprovem, efectivamente, a presença de Druidas em tempos recuados no nosso território, podemos afirmar que ela é, no entanto, bastante provável, já que a instituição druídica (composta por vários graus, como os Bardos e os Ovates) constituía uma parte fundamental da alma da sociedade céltica. Esta era responsável, nomeadamente, pelas celebrações ritualísticas, pela preservação da memória através das antigas genealogias, contos e histórias, assim como pela medicina, pelo ensino e pela orientação espiritual do povo. O Druidismo foi extinto com o Império Romano, mas a sua Sabedoria foi absorvida por diversas correntes místicas e espirituais e viveu um Renascimento no séc. XVIII, que se prolongou até à actualidade.

Segundo a terminologia druídica actual, a celebração de Alban Heffin corresponde ao Solstício de Verão, que tem lugar anualmente por volta do dia 21 de Junho. É uma das mais importantes celebrações do Druidismo contemporâneo.

Solstício é uma palavra originária do latim solstitium, composto pelos termos sol (“sol”) e sistere (“parado”), o que se justifica uma vez que o sol, desde o Solstício de Inverno – por volta do dia 21 de Dezembro, quando nasce mais a sul –, vai nascendo sempre cada vez mais a norte, até chegar ao seu ponto máximo no Solstício de Verão, altura em que parece "estacionar" o seu ponto de nascimento (e de ocaso) durante 2 ou 3 dias, para depois voltar a nascer gradualmente mais a sul.

Alban Heffin é um termo galês (oriundo do País de Gales) que significa “Luz da Costa” ou “Luz do Verão”, fazendo alusão ao facto deste dia ser o mais longo do ano, bem como a noite mais curta do ano. É o dia em que o sol nasce mais a norte. Assim, celebra-se o esplendor, o apogeu da iluminação, o zénite do sol, o triunfo simbólico da luz sobre as trevas. Porém, é interessante notarmos que, a partir do Solstício do Verão, os dias se irão tornar gradualmente mais curtos até ao Solstício de Inverno, altura que marcará a noite mais longa do ano: Alban Arthan ("Luz de Artur"). Desta forma, o ponto mais alto da luz marca também o início da sua lenta descida.

Em Portugal, encontramos ecos cristianizados de antigas tradições pagãs associadas ao Solstício de Verão, como as calorosas festas de S. João Baptista, no dia 24 de Junho, altura em que o elemento fogo é vivificado através das célebres “fogueiras de S. João” um pouco por todo o país. Na região do Porto encontramos ainda a tradição dos “balões de S. João”, que transportam o fogo para bem alto no céu, criando uma imagem de grande beleza, rica em simbolismo.

Esta altura do ano corresponde no Ogham (alfabeto arbóreo ligado ao Druidismo actual) ao carvalho (duir, em gaélico). Esta árvore nobre, predilecta dos Druidas, simboliza a noção de força, sabedoria e iluminação, já que tem um crescimento lento, como lenta é a maturação espiritual, que porém confere à sua madeira uma densidade bastante elevada, correspondendo espiritualmente à solidez gradualmente adquirida ao longo do Caminho percorrido em Consciência. O carvalho está também associado à iluminação, entre outras razões, porque atrai a luz relampejante do céu, já que os trovões apresentam uma predilecção pela madeira desta árvore.

Numa leitura simbólica, o Alban Heffin representa a iluminação interior, em que o Ser se torna resplandecente face às trevas e aos obstáculos do ego ilusório. Porém, assim como no pico da sua força o sol inicia a sua lenta descida para sul, nenhuma iluminação é permanente, e acaba por ser apenas um vislumbre efémero do real, já que a lei dos ciclos rege o plano da manifestação e que a impermanência é a única constante deste nível. Pelo seu simbolismo, Alban Heffin está particularmente associado ao grau de Druida, o representante máximo da sabedoria celta no plano filosófico e mágico.

É interessante referirmos que são vários os monumentos megalíticos que se encontram alinhados com o nascer e pôr-do-sol no Solstício de Verão, como é o caso do templo de Stonehenge, no sudoeste inglês, o mais emblemático de todos os monumentos megalíticos, assim como o do cromeleque de Callanish, na Escócia. No nosso país, destaca-se o Cromeleque dos Almendres, perto de Évora, associado à paisagem e monumentalidade envolvente, com diversos alinhamentos astronómicos, entre eles, com o Solstício de Verão.

A ORDEM DOS BARDOS, OVATES E DRUIDAS (OBOD) E O DRUIDISMO ACTUAL

A Ordem dos Bardos, Ovates e Druidas é um grupo espiritual dedicado à prática, ao ensino e ao desenvolvimento do Druidismo enquanto espiritualidade válida e inspiradora. A Ordem foi fundada há mais de quarenta anos atrás (em 1964) por Ross Nichols (um académico de Cambridge e poeta conhecido) e um grupo de membros da Antiga Ordem Druídica (Ancient Druid Order), que incluia a escritora Vera Chapman. A Antiga Ordem Druídica desenvolveu-se no início do século passado a partir do Revivalismo Druídico que nasceu há cerca de trezentos anos atrás, traçando as suas origens até 1717.

O termo "Ordem" deriva da tradição das Ordens mágicas e não da tradição das Ordens religiosas. Nem a Ordem nem o Druidismo se tratam de um culto. Um culto gira em torno de uma personalidade, um líder carismático, uma divindade ou um santo em particular. A Ordem e o Druidismo não têm nenhuma destas características. A adesão à Ordem é aberta a seguidores de qualquer fé ou nenhuma, independentemente do seu género, orientação sexual ou origem étnica. Existem actualmente mais de doze mil membros em cerca de cinquenta países. Ambos os princípios Feminino e Masculino são celebrados e encontram-se representados nos ensinamentos e na vivência da Ordem. A Ordem não é patriarcal nem favorece os homens – muitas mulheres têm papéis de liderança e mais de metade dos membros são do sexo feminino.

Embora a maior parte dos membros pratique o Druidismo individualmente, existem mais de noventa grupos por todo o mundo que oferecem a oportunidade para os membros se encontrarem e celebrarem em conjunto. Para além disso, há membros individuais e grupos que organizam encontros, retiros, conferências e workshops. Há mais de vinte anos que a Ordem tem vindo a oferecer um curso completo de Druidismo que cobre todos os três graus de Bardo, Ovate e Druida. Este curso encontra-se hoje disponível em língua portuguesa.

Consideramos que os objectivos do Druidismo e da Ordem são ajudar-nos a viver e a exprimir o Amor, a Sabedoria e a Criatividade. Criatividade - despertando-nos para o nosso pleno potencial: para trazer beleza ao mundo, para descobrir as histórias que existem no mais profundo de nós mesmos, as histórias que se encontram em cada pessoa e no mundo da Natureza. Sabedoria - nos antigos mitos e lendas, nas tríades galesas e irlandesas, assim como nos séculos de conhecimento que se encontram na tradição druídica. Amor - no amor às árvores e às pedras, no amor aos animais e ao corpo, no amor aos contos e aos mitos, no amor à beleza e à paz, no amor aos outros e à vida.

A CAMINHADA DRUÍDICA E O DESPERTAR DA CONSCIÊNCIA

As caminhadas druídicas promovem um retorno à Natureza que nos rodeia, e da qual somos parte integrante, mas também um retorno ao nosso Ser mais profundo, através de técnicas e exercícios simples mas eficazes que conduzem ao lento despertar da consciência, graças a uma abordagem que respeita as diferentes convicções de cada um e promovendo um maior estado interior de paz e harmonia, que se extende naturalmente a todos os campos da vida quotidiana.

 

Texto adaptado do artigo "A Roda do Ano Celta: Alban Heffin - A Luz da Costa", de Alexandre Gabriel, publicado originalmente em "Mandrágora - O Almanaque Pagão - 2011: No Bosque Sagrado dos Druidas" (© Zéfiro, 2010. Todos os direitos reservados).